12 agosto, 2006

ESCOLA DA PONTE

APRENDENDO COM A CULTURA DA SOLIDARIEDADE
Existe. Está na Vila das Aves no norte de Portugal. Trata-se da Escola da Ponte, experiência pedagógica que pode ser relacionada com liberdade, criatividade, autonomia e coletividade. Desde o final dos anos setenta, a escola pública foi se tornando referência ao aprendizado da cidadania. No 6º Encontro sobre o Poder Escolar, realizado em Pelotas (RS) de 18 a 21 de julho, houve a participação do professor português José Pacheco. Ele explanou sobre o desafio da escola cujas duas centenas de alunos, não estão divididos em turmas, não há controle através da chamada, nem são feitas as provas tradicionais. A escola é exceção pois, em decorrência da trajetória consolidada através de parâmetros humanistas, houve a conquista da autonomia. O Estado, após os resultados diferenciados, que evidenciaram a qualidade do ensino, teve de acatar a experiência. A fundamentação teórica, conforme o professor, interage com as variadas vertentes da educação. Porém, não se trata de apego a determinado “fóssil teórico”. Na aventura cotidiana das diferentes necessidades, adaptam-se as leituras e postulados. No entanto, uma afinidade é reiterada pelo professor. Ele compara o desafio com alguns dos princípios formulados pelo educador brasileiro Paulo Freire.
PROJETO COLETIVO – Durante a ditadura Salazarista, Pacheco esteve na resistência e penou na prisão dos militares. Até chegar à Escola da Ponte em 1976, conta que trabalhava com a prática convencional. Mas, diante de nova realidade, foi provocado a refletir e criar. Ao chegar na escola, deparou-se com prédio sem banheiro, que acolhia alunos considerados como a “turma do lixo”. Alunos alcoolizados, insultando professores, marcados pela pobreza. O projeto coletivo implicou em mudanças. Assim, alunos foram surpreendidos pela pergunta sobre o que gostariam de aprender. Conforme o professor, as crianças e jovens diziam que jamais havia sido feita tal consulta. Desde então, o empenho por “utopia realizável”. Se as turmas foram abolidas, e os encontros ocorrem em espaços amplos, estimulando a troca, diálogo e aprendizado compartilhado, também os professores passaram a vivenciar outra realidade. O livro-ponto foi extinto, não há controle de horário, tampouco as faltas. E Pacheco acrescenta que, sem o controle, o que pressupõe a responsabilidade, os professores não faltam e geralmente permanecem mais tempo na escola. O projeto é coletivo, instigando a “cultura da solidariedade”. O aluno define o tema de estudo, e conta com o professor como orientador. A descoberta inicial leva a outras questões, e coletivamente todos aprendem. O individualismo cede espaço à convivência democrática, reunindo dede o portador da Síndrome de Down até filhos de desempregados e profissionais liberais.
PAIS participam diretamente dos rumos. Através de associação, integraram-se à proposta de transformação. E foi com o respaldo dos familiares dos alunos, que a Escola pôde justificar a experiência. Afinal, conforme o professor, a pressão acontece, surgem calúnias, tentativas para desestabilizar a iniciativa. No entanto, tratando-se de coletividade, o Estado não conseguiu a retomada do livro-ponto, folha de chamada e toda gama de ações da escola tradicional.
ASSEMBLÉIAS - O professor português enfatizou o exercício coletivo. Assim, mencionou que semanalmente acontecem as assembléias. A função de presidente é exercida pelas crianças. Há silêncio, participação e propostas. Trata-se de aprendizado da cidadania. E os alunos debatem inúmeras questões do cotidiano escolar. A exemplo, conforme o professor, o aluno que chegou na escola,mantendo a indisciplina, afronta e individualismo. Insultando colegas e arredio ao ritmo dos estudos, sua conduta foi avaliada pelos colegas. Para “defendê-lo”, menina de sete anos. Ela argumentou aos outros que, se já haviam passado nas imediações da igreja, talvez tivessem ouvido o recado “amai-vos uns aos outros”. Na seqüência, sugeriu ao grupo que o colega contasse com uma “Comissão de ajuda”. Nos dias seguintes, a cada palavrão ou gesto indisciplinado, de imediato a “comissão” surgia para orientar o colega de que ele poderia ser bom. Como resultado da “cultura da solidariedade”, orgulha-se Pacheco, em exame nacional de avaliação, os melhores resultados desempenhados foram de alunos de “Ponte”.
A GRAMÁTICA DA MUDANÇA
O professor José Pacheco conta que, quando perguntado sobre como mudar a educação, geralmente sugere a “extinção do respectivo Ministério”. Além de provocar riso, a manifestação também identifica a luta pela transformação. Afinal, na Escola da Ponte houve inúmeras estratégias para que se efetivasse a postura libertária. À margem dos ditames formais e burocráticos, houve o espaço a mudanças. De acordo com o professor, trata-se de “gramática”, com vários capítulos. Assim, se a experiência já é referência internacional, também há o lado da angústia e sofrimento. Como prática que visa desconstruir a escola arcaica, opressora, cujos valores reiteram o individualismo, têm ocorrido ameaças covardes. A exemplo, desde panfletos lançados nas proximidades até críticas na imprensa, publicadas sob pseudônimos.
PRINCÍPIOS – Bem-humorado, Pacheco comunica-se com facilidade. O ato de ser estrábico serve como motivação para o elogia à diferença. Muito além da condição física, a alusão facilita a abordagem sobre princípios. Entre os parâmetros que embasam a cultura da solidariedade, ele expressa alguns passos: “Educamos na cidadania e não para... Não há diretor nem precisamos, todos são responsáveis pelo coletivo. Horizontalizamos o poder e todos são diretores. É preciso desconstruir a hierarquia da idéia de escola. A prova não prova nada, ninguém explica sobre a necessidade de turmas, ou o porquê da aula com cinqüenta minutos. Nosso compromisso é garantir a todos tanto o acesso quanto sucesso. E as críticas esvaziaram, pois nossos alunos foram os melhores nos exames nacionais”.

14 julho, 2006

VI Arte Expressão e Identidade

VI ARTE EXPRESSÃO E IDENTIDADE
O Movimento dos Artistas Plásticos de Pelotas (MAPP) organiza a 6ª edição do ARTE: EXPRESSÃO E IDENTIDADE, a realizar-se no período de 09 a 24 de novembro nas dependências do Clube Comercial de Pelotas – R. Félix da Cunha, 663.

INSCRIÇÕES ATÉ 06 DE NOVEMBRO
– Sede do MAPP – Shopping Zona Norte, sala 20
de segunda a sexta-feira, das 9h às 11:30h e das 14h às 18h
– Espaço Arte & Eventos "Zilah Costa" – Pq. Dom Antônio Zattera nº 255
de segunda à sexta-feira, das 15h as 18h

INFORMAÇÕES
(53) 3227-5914 – MAPP
(53) 3225-2926 – Zilah Costa

15 junho, 2006

Eleição do Conselho de Cultura

Eleição do Conselho de Cultura acontece sábado
A eleição para a composição do Conselho Municipal de Cultura, encaminhado na Conferencia Municipal de Cultura realizada em abril, ocorre neste sábado (17), das 9h às 17h no Instituto de Ciências Humanas (ICH/UFPel), na rua Alberto Rosa,154. Pode votar quem se inscreveu na Secult ou ainda os participantes dos eixos temáticos da Conferência. Os certificados para estes também estarão sendo entregues neste dia. Onze candidatos foram aprovados pela Comissão Especial Eleitoral formada por representações da Prefeitura através da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), e Universidades Federal e Católica de Pelotas (UFPel/UCPel) e estão aptos a concorrer pelo diferentes segmentos culturais como Dança, Literatura, Artes Visuais, dentre outros.
Conforme a secretária Beatriz Araujo, o número pouco expressivo de candidatos vai ser uma grande dificuldade que o segmento vai encontrar em sua organização, uma vez que a cidade não conta com um Conselho de Cultura há muitos anos. Beatriz informou ainda que o segmento que não obteve nenhum candidato inscrito terá sua situação avaliada junto aos conselheiros eleitos e a Procuradoria do Município a fim de encontrar meios que supram estas lacunas.
Beatriz vê o resgate do Conselho Municipal de Cultura como um marco importante para a administração municipal, já que o mesmo estará, a partir da sua constituição, atuando junto à Secult na busca de melhores condições aos trabalhadores deste segmento. “Pretendemos empossar o Conselho durante a Semana de Pelotas, que ocorre entre primeiro e sete de julho. A partir daí, estaremos em contato permanente com o Conselho visando oferecer a estrutura necessária para seu pleno funcionamento”, destacou Beatriz explicando que trata-se de um compromisso firmado no Plano de Governo que ora se concretiza. “Ainda este ano, pretendemos dar prosseguimento à criação do Programa Municipal de Incentivo às Atividades Culturais - PROCULTURA, que já está formatado e encaminhado ao prefeito Fetter Junior para análise e posterior aprovação”, finalizou.
Os candidatos
Artes Cênicas: Lyl Rejane da Cunha;
Artes Visuais
Áudio Visual: Pablo Fabião Lisboa;
Literatura: Academia Sul Brasileira de Letras, Academia Pelotense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas e Marísia Ferreira Vieira; Memória e Patrimônio: Luiz Kawall de Vasconcellos;
Música: Alexandre Mattos, Vitor Azubel, Paulo Roberto Velasco e Sérgio Pñeiro.
Data: 14/06/2006
Hora: 18:54
Redator: Secom
Fotos créditos Rejane Botelho
17/06/2006
Pelotas
Secult divulga nomes de Conselheiros
A Secretaria Municipal de Cultura (Secult) divulga o nome dos conselheiros eleitos, bem como os indicados para compor o Conselho Municipal de Cultura (Concult). No segmento Artes Cênicas, foi eleita Lyl Rejane da Cunha Recuero, e nas Artes Visuais e Áudios Visuais, o titular será Pablo Fabião Lisboa. O Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas (IHGPel) e a Academia Sul Brasileira de Letras, respectivamente, titular e suplente, no segmento Literatura. Memória e Patrimônio será representado por Luiz Kawall de Vasconcellos, e Vitor Azubel foi eleito conselheiro titular, representado o segmento Música, tendo como suplente Sérgio da Silva Pinêiro.Câmara Municipal de Pelotas: titulares, Ivan Admar Dornelles Duarte e Cláudio Roberto dos Santos Insaurriaga e como suplente, Idemar Barz. Representando a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), titular, José Henrique Medeiros Pires e suplente Carmem Lúcia Abadia Biasoli. A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) será representada pela titular Fabiane Vilela Marroni e suplente Valter Guaraci Sobreiro Júnior. A Secult contará com a representação do secretário adjunto como titular, Mogar Pagana Xavier, e Alessandra de Carvalho Ferreira como suplente. E a Secretaria de Educação (SME), com a titular Ivete de Aguiar Saraiva e como suplente Lizamar da Silva Lopes Machado.
A eleição foi realizada no sábado (17), no Instituto de Ciências Humanas (ICH/UFPel). De acordo com a secretaria de Cultura, Beatriz Araújo, o evento transcorreu tranquilamente e a apuração foi realizada no mesmo dia, com a participação de representantes dos segmentos culturais.
Conforme a secretaria, a posse dos conselheiros está prevista para o mês de julho, durante a Semana de Pelotas. Beatriz destaca que a lista com o nome dos representantes será encaminhada para a Secretaria de Governo, responsável pelas publicações oficiais.
Data: 19/06/2006
Hora: 17:59
Redator: Maristela Paranhos

04 junho, 2006

Leis/Projetos Aprovação

Lei - Tramitação
Uma série de projetos de lei encontram-se atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado, envolvendo setores e questões importantes da cultura nacional, como a produção audiovisual independente, a criminalização do jabá e a proteção de direitos autorais. Caso sejam aprovados, poderão representar mudanças benéficas para o setor cultural, mas ainda se nota a ausência de uma maior atenção e pressão da área pela agilização na tramitação e aprovação desses projetos. Conheça a seguir alguns deles:
PL 2838/1989
autoria: deputado Max Rosenmann (PMDB/PR)
Modifica a Lei nº 3.857, que criou a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) e dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de músico. Criada em 1960 com a finalidade de defender a classe e fiscalizar o exercício da profissão de músico, a OMB e vem recebendo há anos uma série de acusações e protestos, e um dos pontos centrais é o presidente do Conselho Federal do órgão, Wilson Sandoli, que ocupa o cargo há 40 anos, acumulando ainda as ocupações de presidente do Conselho Regional da OMB-SP e presidente do Sindicato dos Músicos de São Paulo. As eleições são realizadas anualmente, elegendo a cada vez um terço da diretoria (com um mandato de três anos).Entre outras alterações, o projeto de lei institui a eleição de todos os membros do conselho de uma só vez, encerrando a era dos terços, e estabelece mandatos de dois anos, com direito apenas a uma reeleição. O Fórum Nacional de Música vem fazendo uma mobilização para pressionar pela aprovação do projeto ainda neste semestre, antes que as eleições mobilizem a Câmara.Andamento: encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), com o relator, deputado Robson Tuma (PFL/SP)PL 6651/2006
autoria: deputado Renildo Calheiros (PcdoB/PE)
Dispõe sobre a instituição e funcionamento do Fundo Especial do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – FUNPHAN
Com o objetivo de garantir recursos para a recuperação e preservação do patrimônio histórico e artístico brasileiro, a proposta prevê a criação do FUNPHAN, estabelecendo como fontes de receita para o fundo, entre outras, recursos orçamentários da União e doações. Esses recursos seriam aplicados mediante convênios firmados entre a União e municípios que possuam acervo tombado.Andamento: em análise pela Comissão de Educação e Cultura (CEC), onde se encerrou o prazo para apresentação de emendas, o que não ocorreu. http://www.camara.gov.br/sileg/integras/377058.htm
PL 3156/2004
autoria: Ivan Valente (PT/SP)Dispõe sobre o dever das empresas de rádio ou televisão de informar aos ouvintes ou telespectadores os dados das obras musicais executadas em sua programação.O texto determina que as emissoras de rádio ou televisão deverão informar aos ouvintes ou telespectadores os autores e o nome completo das obras musicais, antes ou depois da sua execução, obedecendo diferentes critérios conforme o o gênero ou origem da música. A relatora Luiza Erundina incluiu uma emenda do deputado Maurício Rabelo (PL-TO), que evita a interpretação de que seria obrigatório identificar os autores de músicas que fossem veiculadas em vinhetas, músicas de fundo de cenas de dramaturgia e de programas jornalísticos.
Andamento: o projeto já foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) e está agora na Comissão de Educação e Cultura (CEC), onde foi estabelecido o prazo para a apresentação de emendas ao projeto
PLS 361/2005
autoria: senador Sérgio Cabral Prorroga até 2016, inclusive, o prazo de que trata o disposto no art. 1º da Lei nº 8.685, de 1993, que cria mecanismos de fomento à atividade audiovisual e dá outras providências.
O projeto é uma das preocupações atuais do setor audiovisual, pois de acordo com o artigo 1º da Lei do Audiovisual, o prazo para benefícios fiscais à produção cinematográfica termina este ano.
Andamento: o projeto aguarda análise do Senado, antes de ser encaminhado à Câmara dos Deputados
PL 256/1991
autoria: deputada Jandira Feghali (PcdoB/RJ)Regulamenta o disposto no inciso III do artigo 221 da Constituição Federal, referente à regionalização da programação artística, cultural e jornalística das emissoras de rádio e TV e dá outras providências.
Apresentado há 15 anos, o projeto ainda não conseguiu ser aprovado, apesar de ser de fundamental importância para o desenvolvimento da produção audiovisual independente brasileira, que esbarra na falta de mecanismos de financiamento e espaços de exibição e distribuição. O projeto estipula regras para a veiculação na TV da produção independente e regional, conforme o Estado onde estão localizadas as sedes da emissora e suas afiliadas, mas não prevê meios de financiamento.
Andamento: após a tramitação na Câmara dos Deputados, o projeto foi enviado para o Senado
PL 6581/2006
autoria: Simplício Mário (PT/PI) Estabelece mecanismos de incentivo para a produção, publicação e distribuição de revistas em quadrinhos nacionais.O setor de quadrinhos passou a ser visto com mais importância pela gestão atual do Ministério da Cultura. O projeto de lei propõe que as editoras sejam obrigadas a publicar um mínimo de 20% de histórias em quadrinhos brasileiras, além de ter entre seus títulos um minimo de 20% de quadrinhos brasileiros, e lançá-los comercialmente. O projeto ainda prevê que o poder público crie medidas de apoio e incentivo à produção, como o estímulo à leitura em sala de aula, a promoção de eventos para difundir o mercado editorial de quadrinhos voltados para o público infanto-juvenil e a inserção de disciplinas práticas no currículo das escolas e das universidades públicas.Andamento: está na Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara, onde foi encerrado o prazo para emendas ao projeto.
PL 1048/2003
autoria: Fernando Ferro (PT/PE)
Acrescenta dispositivo à Lei nº 4.117, que "Institui o Código Brasileiro de Telecomunicações" e proíb as emissoras de rádio e televisão de receberem dinheiro para privilegiar a execução de determinada música. O texto prevê a detenção de um a dois anos dos responsáveis em emissoras de rádio e tv que aceitarem dinheiro ou qualquer outra vantagem de gravadoras, artistas, empresários ou promotores de eventos em troca de veiculação de música. São ainda previstas multa, suspensão ou cassação da concessão governamental. O projeto ainda altera o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4117/62), pois acrescenta a ele um dispositivo. Após um parecer favorável do deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG), o projeto foi aprovado neste mês pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, e segue agora para a Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania. Se for novamente aprovado, irá para votação em plenário.
Embora o projeto represente um passo importante para a criminalização do jabá, seus resultados concretos são duvidosos, devido às dificuldade de identificação da prática e também de fiscalização.Andamento: recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC)

30 abril, 2006

Conferencia da Cultura em Pelotas


Dia de intensas discussões acerca da cultura
Depois dos painéis que abriram a Conferência Municipal de Cultura ontem (27) pela manhã, com os temas “o Sistema Nacional de Cultura, e a Importância dos Conselhos de Cultura”, e “Economia e Cultura”, à tarde do primeiro dia de discussões e debates acerca dos segmentos culturais levou ao público cinco palestras enfocando os mais variados temas.

Com 15 minutos de tolerância para a acomodação do público, a professora da Faculdade de Letras da UFPel e presidente do Instituto João Simões Lopes Neto, Paula Schild Mascarenhas, abriu a tarde abordando o temática “Gestão Pública e Cultura”. Paula iniciou sua explanação mostrando que se precisasse sintetizar o tema em uma palavra, caberia dizer “liberdade” e se pudesse usar um sintagma, Gestão pública e Cultura se resumiria em “Liberdade e Incentivo”, fundamentando que a cultura pressupõe um estado democrático.

Paula enfocou ainda que a cultura é sinônimo de economia e citou como exemplo a resposta que ouvia, ao assessorar, em 1999, o então Deputado Estadual, Bernardo de Souza que, quando questionado o motivo pelo qual demonstrava tanto interesse por leis de incentivo à cultura já que esta não daria voto, ele dizia: “cultura é renda, trabalho, é alimento na mesa”. As adaptações na Lei de Incentivo a Cultura (LIC), feitas por Bernardo e que possibilitaram a participação de pequenas e micro-empresas em financiamentos e patrocínios de eventos culturais, em contrapartida de deduções tributárias, também foram lembradas pela professora como exemplo de gestão pública de cultura no poder legislativo. Finalizando ainda citou a trajetória do processo de restauração da Casa Simões Lopes Neto, como exemplo bem sucedido de gestão pública que envolveu sociedade, e poderes executivo, legislativo e judiciário em prol da cultura.


Pouco depois das 15h, o jornalista e ex Deputado Federal, Marcos Rolim, possibilitou, as mais de cem pessoas presentes no auditório do Instituto de Ciências Humanas (ICH), a reflexão sobre a realidade cultural moderna, com a palestra “Cultura é direito e Cidadania” – Os desafios modernos para uma cultura de paz. Segundo Rolim as sociedades contemporâneas são destradicionalizadas, não preservaram nenhum referencial a ser seguido, e discorreu a respeito das diferenças entre as normas e éticas das sociedades antigas e a ausência de referencias nos grupos sociais atuais. No entendimento do jornalista, uma política de cultura deve ser concebida num termo mais amplo: além da expressão artística, deve abranger também outros segmentos como a educação, a saúde, o esporte, dentre outras.
Ao abrir-se o microfone para debates acerca do tema de Rolim, o cineasta Henrique de Freitas Lima, que pela manhã levantou questionamentos como “o que significa a industria do ócio e do entretenimento?”, fazendo um apanhado sobre a importância do produtor cultural, colaborou com a reflexão proposta dizendo que “tão importante quanto estimular as manifestações artísticas é também investir no público para que seja o grande consumidor de cultura”.


Logo em seguida as palestras continuaram com o professor e arquiteto da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, José Albano Volkmer, que trouxe o tema “O Financiamento da Cultura e seus Desdobramentos na Economia das Cidades” onde evidenciou a participação da cultura no cenário econômico do país, e os procedimentos que levem a economia a se organizar de modo a proporcionar mais acessos à cultura, tanto para produtores do fazer cultural como para a população.
À tarde ainda contou com o tema “Patrimônio Cultural”, abordado pela especialista em Patrimônio Cultural e técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E a palestra “Comunicação é Cultura” através da qual a produtora cultural Lúcia Silber propôs uma abordagem do tema sob a ótica da comunicação como ferramenta de produção e difusão de bens culturais.
Para hoje a programação reserva:
8h – Salão Principal – Apresentação da Metodologia; 8h30min – Salão Principal – Divisão dos Grupos de trabalho; 8h45min – Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura - Gestão Pública e Cultura Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 9h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Cultura é Direito e Cidadania Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 10h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Economia da Cultura Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 11h45min – Momento Pausa 12h – Almoço livre 13h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Patrimônio Cultural Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 14h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Comunicação é Cultura Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 15h – Momento Pausa II 15h15min – Salas Temáticas – Indicação dos candidatos ao Conselho Municipal de Cultura; 16h –Apresentação dos Candidatos ao Conselho Municipal de Cultura; 16h30min – Apresentação das Propostas de cada Sala Temática; 17h –Escolha dos Conselheiros Municipais de Cultura; 18h – Encerramento com atividade artística.
Data: 28/04/2006
Hora: 14:17
Redator: Secom
A sexta-feira (28) marcou o segundo e último dia da Conferência Municipal de Cultura, em Pelotas, com a realização de salas temáticas que elencarão as principais prioridades para cinco diferentes eixos culturais, os mesmos que haviam sido discutidos e debatidos no dia anterior: Gestão pública e Cultura, Cultura é Direito e Cidadania, Economia da Cultura, Patrimônio Cultural, e Comunicação e Cultura.Gestores, produtores, comunidade e intelectuais da área das artes e da cultura distribuíram-se dentre as salas de Artes Cênicas, Artes Visuais e Áudio Visual, Literatura, Manifestações Populares, Memória e Patrimônio, e a sala de Música, os mesmos segmentos que terão representação no Conselho Municipal de Cultura, para avaliar propostas e eleger as principais demandas em cada área, além de iniciarem as indicações para a constituição do Conselho. Os números ainda estão sendo apurados, mas os primeiros eixos discutidos pela manhã ( I - Gestão Pública é Cultura, e II- Cultura é Direito e Cidadania) já dão indícios das prioridades que obtiveram maior número de votos: no eixo I, as salas de Artes Visuais e Áudio Visual, e Memória e Patrimônio, contaram com o maior números de participantes, 21 e 12, respectivamente.
Nestas salas, demandas como revigorar e resgatar o Conselho Municipal de Cultura (19 votos na primeira e 8 na segunda), a criação de uma política de educação de base – construção de uma identidade cultural (10 votos na segunda sala), implantação do Programa municipal de Apoio e Incentivo a Cultura – Procultura, e incentivo á utilização do produtor cultural da cidade (ambas com 16 votos cada, na primeira sala), foram as que mais despertaram o interesse dos participantes. Os outros três eixos deverão estar com os números finais fechados no começo da próxima semana. No total, serão 30 discussões que definirão as prioridades a serem encaminhadas à Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e ao Conselho Municipal para entrarem em pauta de execução.
Data: 28/04/2006
Hora: 17:31
Redator: Secom

21 abril, 2006

Conferência Municipal de Cultura





Conferência Municipal de Cultura começa 5ª feira

Dois dias para se analisar e discutir os diversos segmentos culturais e artísticos de Pelotas. É a Conferência Municipal de Cultura 2006, promovida pela Prefeitura Municipal de Pelotas, através da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), juntamente com a Universidade Federal (UFPel). O evento acontece nos dias 27 e 28 de abril, no Instituto de Ciências Humanas ICH/UFPel que fica na rua Alberto Rosa, 154. Além dos painéis e debates que integram a programação, paralelo à Conferência, acontece o encontro regional de dirigentes de cultura. Qualquer cidadão pode participar do evento, basta fazer a inscrição mediante o preenchimento de Ficha disponível na Secult- Praça Coronel Pedro Osório, 02.
Faltando uma semana para o início dos debates que visam, num primeiro momento, a formulação de um Conselho Municipal de Cultura, os últimos contatos já começam a ser encaminhados. Tudo para garantir a presença de gestores, produtores e intelectuais da área da arte e da cultura, na busca de uma reflexão coletiva, seguida da discussão acerca dos temas da maior relevância para o desenvolvimento da cultura no município e região. Para o segundo dia do encontro estão previstos grupos de trabalho através de seis diferentes salas temáticas: Artes Cênicas, Artes Visuais e Áudio Visuais, Literatura, Manifestações Populares, Memória e Patrimônio, e Música. De acordo com os realizadores, a Conferência de Cultura insere Pelotas de forma concreta no Sistema Nacional de Cultura que traz em sua estrutura a integração das três instâncias da Federação (União, Estados e Municípios), para pleitear ações imediatas e futuras de políticas públicas permanentes que não se atenham a ideologias partidárias e que sejam includentes e perenes.
As questões já discutidas em Brasília, durante a primeira Conferência Nacional de Cultura ocorrida em dezembro de 2005, serão retomadas e reavaliadas. Propor e priorizar ações a partir da realidade do Estado e do Município, além de inserir os agentes privados à Gestão Pública de Cultura e encerrar esta Conferência com a eleição de um renovado e revigorado Conselho Municipal de Cultura, são as principais metas traçadas para o encontro.
Conforme a titular da Secult, Beatriz Araújo, a idéia do encontro surgiu há dois durante a formatação do plano de governo desta administração. “As palestras e discussões aqui propostas, nortearão a finalização e implantação de um plano de cultura que surgiu a partir de Seminário promovido, em 2004, pela Coligação Unidos por Pelotas para elaboração do plano de governo e de uma política permanente de diálogo com os diferentes segmentos artísticos e culturais que vem sendo executadas desde o ano passado”. Beatriz enfatiza ainda que a política cultural desta administração adotará princípios, valores e estratégias em consonância com um modelo de gestão que se propõe a mobilizar meios, idéias e pessoas para a consolidação de uma proposta de inclusão social e de construção da cidadania a partir da cultura.
A Conferência de Cultura tem o apoio da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Seriarte, Conselho Estadual de Cultura, Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), Azonasul, SANEP e patrocínio da Via Cabo TV.
Encontro Regional de Cultura
Na sexta-feira (28), a partir das 14h, no auditório do Instituto João Simões Lopes Neto, Dom Pedro II, 810, será realizado o encontro de Dirigentes Municipais de Cultura. Para o evento já está confirmada a presença do titular da pasta de cultura do estado, Vítor Hugo Silva, secretários de cultura e do presidente do Conselho de Dirigentes Municipais de Cultura do Rio Grande do Sul (CODIC) - órgão ligado à Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS) -, Rubens Oliveira.
O presidente do Conselho Estadual de Cultura, Guilherme Neto, e alguns conselheiros também participarão do encontro, promovendo uma interiorização daquele Conselho.
Um dos pontos fortes do encontro será o debate acerca das políticas públicas, ou a falta dessas e a solicitação ao Conselho Estadual de Cultura (CEC) uma maior aproximação com os municípios e propor aos dirigentes a criação e o aperfeiçoamento de instrumentos municipais, que incentivem as atividades de cultura, como leis municipais e fundos de cultura, entrarão na pauta.
Para Beatriz Araújo, este é o momento para reunirmos dirigentes municipais de cultura do Rio Grande do Sul, bem como da Secretaria de Estado da Cultura (SEDAC) e CEC, visando a aproximação dos municípios com tais entidades. “Queremos aproximar essas instituições, que são as responsáveis por estabelecer as diretrizes de políticas públicas de cultura em nosso estado”, argumenta.
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Programação
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27/04 – Quinta-feira
Das 8h às 9h – Credenciamento; 9h – Solenidade de Abertura com a presença de Célio Roberto Turino de Miranda (MinC), Prefeito Municipal, Secretária de Cultura, Presidente da Câmara Muncipal, representantes da Sedac, CEC, UFPel; 9h30min - Painel: “O Sistema Nacional de Cultura e a Importância dos Conselhos de Cultura”, com o Secretário de Programas e Projetos Culturais Célio Roberto T, de Miranda e um integrante do Conselho Estadual de Cultura (CEC/RS); 10h30min Painel: “Economia e Cultura”, com o cineasta Henrique de Freitas Lima; 12h – Almoço com adesão. 14h – Palestra – “Gestão Pública e Cultura”, com Paula Mascarenhas; 15h – Palestra – “Cultura é Direito e Cidadania” – Os desafios modernos para uma cultura de paz - com Marcos Rolim; 16h – Palestra – “O Financiamento da Cultura e seus Desdobramentos na Economia das Cidades”, com Albano Volkmer (Sedac); 17h – Palestra – “Patrimônio Cultural” – com Beatriz Muniz Freire (IPHAN); 18h – Palestra – Comunicação é Cultura – com a produtora cultural Lúcia Silber; 19h – Atividade Artística;
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28/04 – Sexta-feira
8h – Salão Principal – Apresentação da Metodologia; 8h30min – Salão Principal – Divisão dos Grupos de trabalho; 8h45min – Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura - Gestão Pública e Cultura Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 9h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Cultura é Direito e Cidadania Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 10h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Economia da Cultura Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 11h45min – Momento Pausa 12h – Almoço livre 13h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Patrimônio Cultural Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 14h45min - Salas Temáticas – Construção dos Meios Para o Fortalecimento da Economia da Cultura – Comunicação é Cultura Sala Artes Cênicas / Sala Artes Visuais e Áudio Visual / Sala Literatura / Sala Manifestações Populares / Sala Memória e Patrimônio / Sala Música. 15h – Momento Pausa II 15h15min – Salas Temáticas – Indicação dos candidatos ao Conselho Municipal de Cultura; 16h –Apresentação dos Candidatos ao Conselho Municipal de Cultura; 16h30min – Apresentação das Propostas de cada Sala Temática; 17h –Escolha dos Conselheiros Municipais de Cultura; 18h – Encerramento com atividade artística.
Infome:
Data: 20/04/2006
Hora: 17:51
Redator: Secom
foto: Rejane Botelho

25 março, 2006

Mudança no Clima Cultural

A mudança no clima global preocupa atualmente várias pessoas ao redor do mundo, pois isso deverá ter graves repercussões na vida das futuras gerações. Porém, é menos sabido ou discutido que o mundo cultural também está enfrentando grandes mudanças globais.
Há cerca de 20 anos, o político padrão e o empresário eram pessoas cultas com um vasto conhecimento geral das várias disciplinas culturais. A cultura era considerada um ingrediente essencial da educação humana, como parte da construção de uma sociedade civil e como um direito humano, aonde os esforços eram feitos para possibilitar que também os menos favorecidos na sociedade participassem de atividades culturais.
Atualmente, isso não é necessário. Politicos e empresários são freqüentemente uma nova raça. A agenda política é mais focada no conforto material de seu eleitorado do que em partes mais etéreas da vida humana. Para muitos políticos hoje em dia, a cultura não é uma questão prioritária. A cultura freqüentemente se equivale ao entretenimento, sendo assim um commoditie para aqueles que desejam que ela fosse obtida nas fontes corporativas.
A mudança do Clima Cultural pode ser geralmente observada em muitos aspectos da soceidade atual e através do mundo. Na TV e na mídia, a cultura ganha menos cobertura e é levada do horário nobre. No sistema educacional, disciplinas ligadas às artes recebem menos (quando recebem) tempo no currículo em benefício de assuntos mais "importantes" como matemática e informática. E os governos investem cada vez menos dinheiro dos contribuintes na cultura e suas variadas formas.
O National Endowment of the Arts (1) sofreu cortes drásticos de orçamento do governo americano nos últimos anos. As atividades culturais na União Européia (UE) estão reduzindo (o novo programa Cultura 2007 recebeu uma verba ridiculamente pequena já que agora cobre 25 países da Europa), e vários dos novos estados membros da UE foram forçados a quase erradicar completamente seu suporte às artes para apoiar os interesses econômicos da UE. Tudo isso tem gerado conseqüências desastrosas em países onde a cultura costumava ter um papel predominante como "comunicadora" dos seus valores nacionais específicos. Em países culturalmente ricos (como a África), a cultura não tem sido reconhecida, recebendo doações miseráveis (ou nenhuma), enquanto o mercado musical é deixado aberto para os jogadores do comércio global. Existirão culturas musicais indígenas típicas no futuro? O buraco de ozônio cultural está atualmente ficando precariamente mais reduzido em todo o mundo.
Os patamares mais baixos da hierarquia das necessidades de Mazlow parecem dar as regras da agenda mundial atual. Certamente que as necessidades fisológicas, de segurança e sociais são questões importantes. Mas se a vida for reduzida a alimentação, abrigo e reprodução, é realmente uma vida valha a pena viver? Se a cultura é um dos traços que distingue o homem dos animais, esta distinção também não está se tornando embaçada, tendo no seu caminho menos tolerância e mais ignorância e violência?
Na Jeunesses Musicales International (JMI), os efeitos da mudança do Clima Cultural também são óbvios. Desde o seu início há 60 anos, ela tem trabalhado como uma porta mundial de entrada para a música para jovens ouvintes e músicos em cerca de 50 países com mais de 36.000 atividades que atingem 5 milhões de jovens por ano. Trabalhando pela educação e capacitação de jovens com atividades locais como base e não sendo uma grande arena de eventos que atraem patrocínios, nós estamos desde 2000 com uma diminuição de 20% no orçamento, enquanto as atividades permanecem no mesmo nível. Nós sabemos que somos necessários mas temos um reconhecimento insuficiente para executar os resultados que são inestimáveis para nossas respectivas sociedades. O que irá acontecer no dia em que elas e milhões de devotos da cultura em todo o mundo decidirem "deixar quieto", para buscarem em outras ocupações a vida material confortável dos seus conterrâneos?
Eu prefiro não responder a este cenário caótico, e ao invés disso ter esperanças no apoio e compromisso ativos daqueles que compartilham com minhas preocupações. Música e outras expressões culturais, comerciais ou não, não são commodities de entretenimento, e sim direitos humanos. Nós precisamos formar redes globais e fortes através das fronteiras geográficas, sociais e disciplinares para mudar o Clima Cultural global. Nós precisamos dar aos políticos e empresários bons argumentos do porquê eles deveriam apoiar nossas atividades específicas. Nós precisamos estabelecer estatísticas úteis, apresentar as melhores best practices e acesso a resultados de pesquisa que possam sustentar melhor nossas causas e fazer com que nossas atividades sejam continuamente mais conhecidas pela mídia.
O termo "cultura" é tão sexy como petróleo: nós precisamos criar uma nova excitação e explicar mais claramente o que nós fazemos, para quais propósitos e com quais resultados (também em termos econômicos) de modo a construir um compromisso daqueles que podem nos ajudar a alcançar nossos objetivos. A tendência atual das empresas em relação à responsabilidade social corporativa (ou "oportunismo social corporativo", como disse o Bono) deveria ser elevada na sua máxima extensão, onde a cultura, como importante componente social, deveria ser vantajosa como qualquer outra área de atividades. Nós precisamos sair de nossas "fortalezas de artes refinadas" e de maneira sincera tornar nossas atividades acessíveis a um grande número de pessoas, e não apenas apresentar programas de impacto de maneira hipócrita apenas para sermos politicamente corretos. Algumas vezes, nós temos que desprezar nossas preferências e mudar nosso foco de atividade e recursos limitados para onde eles terão o melhor impacto e paraz fazer isso, nós teremos que ser pragmáticos e rápidos.
A habilidade de alcançar pró-ativamente essa tarefa gigantesca irá seguramente determinar o cenário cultural de amanhã. Nós temos que agir juntos para mudar os resultados do Clima Cultural e reverter o "efeito estufa" cultural. Se formos bem-sucedidos, poderemos também ajudar nossos compatriotas políticos em argumentar sobre a importância da cultura dentro da sociedade civil e assim obter mais recursos, uma tarefa onde até agora eles têm geralmente falhado.
Dag Franzén é Secretário-geral da Jeunesses Musicales International (JMI), que trabalha com a música como ferramenta de desenvolvimento da juventude e é reconhecida pela UNESCO como a maior organização cultural do mundo voltada para jovens - http://www.jmi.net/
(1)Órgão público americano que tem funcionamento independente do governo, e é atualmente o maior apoiador financeiro das artes nos EUA
Cultura e Mercado
Dag Franzén

17 março, 2006

Reunião da Secult com artistas

Reunião da Secult com artistas debateu as artes visuais

Na reunião realizada ontem, entre a diretoria de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e cerca de 20 representantes de entidades ligadas às Artes Visuais na cidade, foram abordados os assuntos que envolvem a utilização dos espaços destinados na cidade a este seguimento artístico. Um novo encontro já está marcado para a próxima terça-feira (21), às 14h, para os encaminhamentos finais.

A reunião teve como objetivo garantir ambientes de contato entre o público e a obra artística e definir as características de suas salas no intuito de facilitar a compreensão da arte de Pelotas, do Rio Grande do Sul e do Brasil, suas histórias, permanências e perspectivas.

Além da minuta apresentada pela Secult com as propostas e critérios que serão adotados para a ocupação da Sala Frederico Trebbi e na nova Sala Inah D’ Ávila Costa, também foram discutidas as sugestões trazidas pelos artistas a fim de encaminharem o seu funcionamento.

Segundo a secretária de Cultura, Beatriz Araujo, as salas de exposição Antonio Caringi e Frederico Trebbi pretendem dialogar com a produção contemporânea da cidade e de fora dela, facilitando a circulação e visibilidade de artistas, através de parcerias representativas do sistema das artes local e com entidades de relevância cultural indiscutível - como a firmada entre esta secretaria e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).

O mais novo espaço criado pela Secult, a Sala Inah D’Ávila Costa, além de reconhecer e homenagear um dos maiores nomes das artes no estado, pretende buscar abordagens possíveis para a compreensão da história da arte de Pelotas e região.

Outro local reservado à guarda e visibilidade dos registros da vida artística da cidade é o Memorial do Theatro Sete de Abril, que durante todo o ano mantém programação baseada nos documentos que discursam sobre as Artes cênicas em um dos mais renomados espaços destinados às artes cênicas no País.

De acordo com Beatriz, “todas as salas vêm passando por intervenções técnicas, destinadas a oferecer ao público e artistas estruturas adequadas para seus momentos de deleite estético. Assim, a Secult entrega ao povo de Pelotas espaços para se ver: ver a si, ao outro e ao mundo, a partir do olhar sensível das artes visuais”, finalizou.

Data: 17/03/2006

Hora: 17:28

Redator: Secom

Fotógrafo: Vanderlei Porto

Nova reunião com artistas visuais na Secult
A Secretaria Municipal de Cultura realiza amanhã, 21, às 14h, na sede do órgão, uma nova reunião com artistas visuais para encaminhamentos finais do primeiro encontro, que aconteceu no último dia 17.Vinte representantes de entidades ligadas às Artes Visuais na cidade participaram da primeira reunião com a diretoria de Artes Visuais da Secult e a titular da pasta, Beatriz Araujo. O objetivo dos encontros é o de garantir espaços para o público e a obra artística e definir as características de suas salas no intuito de facilitar a compreensão da Arte de Pelotas, do Rio Grande do Sul e do Brasil, suas histórias, permanências e perspectivas. Além da minuta apresentada pela secretaria com as propostas e critérios que serão adotados para a ocupação da Sala Frederico Trebbi e a nova Sala Inah D’ Ávila Costa, também foram discutidas as sugestões trazidas pelos artistas a fim de encaminharem o seu funcionamento.

Data: 20/03/2006

Hora: 16:28

Redator: Secom

Fotógrafo: Vanderlei Porto

04 fevereiro, 2006

Vale do Rio Pardo faz Cultura para todos


O Centro

O Centro Regional de Cultura do Vale do Rio Pardo vai colocar à disposição da população de 27 cidades da região, estabelecidas em um raio de 100 quilômetros, a estrutura e equipamentos necessários para a promoção de atividades culturais como teatro, dança, ateliê de arte, conservatório, oficinas de artesanato, auditório público, salas de cursos, área de exposições, biblioteca pública, memorial do Exército, café concerto e livraria. Com essas condições, a expectativa é de que alunos de Arquitetura e História, turistas e interessados, contabilizado em 150 mil pessoas por ano, visitem com mais freqüência o local e que a casa gere, em dois anos, 130 empregos diretos.Segundo o produtor cultural e captador de recursos contratado em 1998 pela Uneama para dar prosseguimento ao projeto, Telmo Padilha César, o Centro Regional projeta a interiorização da cultura e o resgate da auto-estima de Rio Pardo. "Precisamos que a população da região do Vale do Rio Pardo se engaje no processo de modernização. Queremos ter certeza de que esta valorosa obra será algo útil para a comunidade", ressaltou.

Restauração
O trabalho de restauração e reciclagem do prédio começou em abril de 2002, através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), que proporcionou os recursos para as obras. Foi restaurada a estrutura externa e reciclada a área interna, recolocados os cristais, modificados o telhado, tesouras, pisos, forros e refeitas as escadas. Também foi instalado elevador para utilização por deficientes físicos. De acordo com o arquiteto do projeto, Edegar Bitencourt da Luz, o prédio foi remodelado na sua arquitetura, dotando-se de infra-estrutura nova para atender a demanda atual e futura. Bitencourt revelou que, na restauração, foi utilizada principalmente mão-de-obra local. "Foi um trabalho de grande exigência devido à arquitetura do prédio. Tivemos que estabilizar o edifício que tinha tendência para cair", afirmou. O arquiteto revelou, ainda, que foi necessário refazer praticamente tudo, pois a estrutura da cobertura e o entre-pisos estavam muito degradados. "As paredes do prédio são todas de pedra de barro e tivemos que salvar 100% delas. Superamos todos os problemas e hoje vemos, com grande satisfação, esta maravilhosa obra concluída."
Histórico
As obras do prédio histórico de Rio Pardo começam em 1848 quando a Irmandade dos Passos decide construir no local uma Casa de Caridade. Os trabalhos se arrastam por 34 anos. Concluída a obra, em 1882, não é possível instalar o hospital. O prédio, então, é cedido para aquartelar as tropas do Império, até 1905. Naquele ano cria-se a Escola de Aplicação de Infantaria e Cavalaria, que dura até 1911. Neste período, passam pelos corredores do edifício homens que marcaram a história do Brasil como Getúlio Dornelles Vargas, Marechal Eurico Gaspar Dutra, Marechal João Batista Mascarenhas de Morais, entre outras personalidades. Em 1930 o prédio é vendido para a Sociedade Educação e Caridade. Instala-se ali o Instituto Nossa Senhora Auxiliadora para formação de jovens com orientação cristã. Com a finalidade de abrigar um Centro Comunitário de Atividades Culturais, o prédio é doado ao Estado do Rio Grande do Sul, em 1974. Por suas precárias condições ele é interditado parcialmente em 1976, até ser tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado, em 1983. Com o objetivo de reabilitar e restaurar o edifício e visando ao seu aproveitamento como Centro Cultural, cria-se, em 1991, a União dos Ex-alunos Amigos da Auxiliadora (Uneama). Entre os anos seguintes até o momento, o grupo se estrutura e busca parcerias e recursos junto a empresas privadas para a remodelação do prédio. Para concluir o Centro Regional de Cultura Rio Pardo, o grupo obtém apoio da Secretaria Estadual da Cultura.
Investimento
O Governo do Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria da Cultura, tem investido no desenvolvimento do setor cultural, apoiando iniciativas do setor privado. Nos primeiros três anos da administração Germano Rigotto (2003-2006), o Estado investiu, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), R$ 80 milhões em 984 projetos. Um dos projetos é o Centro Regional de Cultura Rio Pardo, uma das mais importantes obras já realizadas no Rio Grande do Sul nos últimos 50 anos. Para o secretário da Cultura, Roque Jacoby, o Centro Regional de Cultura de Rio Pardo é o novo e grande empreendimento da cultura do Rio Grande do Sul. "Investimos um valor significativo neste projeto valiosíssimo com a Lei de Incentivo à Cultura e parcerias com prefeituras e associações. O prédio foi totalmente restaurado e terá espaços adequados para fortalecer a cultura de toda região", afirmou o secretário. Jacoby informou, ainda, que o Governo Rigotto vai investir na formação de Centros Regionais de Cultura em todo o território estadual. O Centro está instalado no prédio em que funcionaram a Escola Militar e o Colégio Auxiliadora, no município de Rio Pardo, a 147 quilômetros de Porto Alegre. O edifício, construído em 1848, foi tombado em 1983 e recuperado e restaurado desde 2002 até sua reinauguração neste ano. De acordo com Adir Fanfaonófrio, idealizadora do projeto de remodelação do prédio e presidente da União dos Ex-alunos Amigos da Auxiliadora (Uneama), o prédio restaurado é um sonho que se tornou realidade. "Com muita luta conseguimos resgatar o passado. Hoje, os estudantes poderão crescer com as atividades proporcionadas pelo Centro, o que lhes proporciona um futuro melhor", destacou. Para concretização da obra foram investidos R$ 3,9 milhões, financiados pela Lei de Incentivo a Cultura (LIC) e patrocinado pela Refap.

01 novembro, 2005

Arte Lisboa 2005





O melhor da arte contemporânea na Arte Lisboa
Sofia Cartó
Pintura, escultura, desenho, instalações, fotografia e vídeo. A arte contemporânea vai mostrar-se no seu melhor em Lisboa no fim de Novembro na 5.ª edição da Arte Lisboa. O maior evento do género em Portugal foi apresentado esta terça-feira, com uma nova dinâmica e com o objectivo maior de se afirmar como um dos principais acontecimentos da arte contemporânea na Península Ibérica.
Com um espaço de sete mil metros quadrados, a Arte Lisboa 2005 conta com a participação de 60 galerias, 15 das quais estreantes. E se a grande maioria é nacional, este ano registou-se uma forte participação estrangeira. Dos 29 galeristas de sete países que se propuseram a expor em Lisboa, a Comissão de Selecção – constituída pelo presidente da Associação Portuguesa de Galerias de Arte (APGA), Pedro Reigadas, e por representantes de galerias nacionais e espanholas – escolheu 18, sobretudo espanhóis, mas também alemães, brasileiros e um russo.
A edição de 2005 assume-se como o início de um novo ciclo. Pela primeira vez, com o alto patrocínio do Presidente da República, Jorge Sampaio, este ano foi estabelecida uma Comissão Consultiva para definir e apoiar as linhas gerais da Arte Lisboa com o objectivo de a reafirmar no panorama da arte contemporânea, entre os galeristas, artistas, coleccionadores e críticos. E a organização, uma parceria da Feira Internacional de Lisboa (FIL) e da Associação Industrial Portuguesa (AIP), aposta na promoção e divulgação para aumentar o número de visitantes.
Até porque, ao mesmo tempo, há a grande vontade de abrir o mundo da arte contemporânea a outros públicos, atraindo novos coleccionadores, explicou o presidente da APGA, Pedro Reigadas. «A feira propicia ao público a possibilidade de visitar as várias galerias no mesmo espaço», criando uma maior dinâmica de vendas. E numa altura em que o mercado começa a ressentir-se da crise geral que o País atravessa, esta é também uma boa oportunidade de compra, uma vez que «haverá seguramente em exposição boas peças inéditas» até agora praticamente desconhecidas, adiantou.
O responsável, que também participa na feira com a galeria Arte Periférica, acredita que há boas perspectivas para a edição de 2005. Considerando que esta «é sobretudo uma forma de divulgar o nome dos artistas», Pedro Reigadas afirma que o sucesso ou não do evento só pode ser feito no fim, e não pode ser avaliado apenas com o cálculo dos lucros. «Há pessoas que vêm à feira e não compram nada mas depois vão à galeria e tornam-se clientes fiéis», sublinhou.
Além da convencional exposição e venda de trabalhos, da Feira fazem também parte dois dias de debates sobretudo sobre as questões do sector. Os coleccionadores e jornalistas estrangeiros terão também a possibilidade de visitar os ateliers de alguns artistas, e nem as crianças foram esquecidas. Para elas foi criado o Arte Lisboa Kids, um espaço com acções lúdicas e pedagógicas.
A Arte Lisboa 2005 vai ser inaugurada oficialmente no dia 23 de Novembro, mas a abertura ao público em geral acontece apenas a 24. Os visitantes podem ir ao Pavilhão 4 da FIL até à segunda-feira seguinte, 28, das 18:00 às 22:00 horas.

31 outubro, 2005

Lei do Livro do Rio Grande do Sul

Lei No. 11.670, de 19 de setembro de 2001 Estabelece a Política Estadual do Livro e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 82. inciso IV, da Constituição do Estado, que a Assembléia Legislativa aprovou e eu sanciono e promulgo a Lei:
saiba mais sobre a Lei no link.

30 outubro, 2005

Helena Ortiz, escritora



Dia 07 de novembro às 18:00h estaremos em sessão de autógrafos na 33ª Feira do Livro de Pelotas.

SINOPSE

Sol sobre o dilúvio é o quinto livro de poemas de Helena Ortiz.
O formato é de 13,5cm x 19cm, 56 páginas e o livro contém 34 poemas, que traduzem, em linguagem contida, o olhar da autora sobre os grandes temas da poesia, embora isso aconteça, muitas vezes, pela observação de fatos bastante prosaicos. O título da obra, a partir de um verso do poeta pernambucano Joaquim Cardozo, já faz antever, no entanto, que por maiores que sejam as tragédias, é preciso acreditar no sol, que as ameniza e recupera nossas forças para os próximos embates.
O EVENTO

Já que vou estar em Pelotas para a Feira do Livro, pensei em organizar um evento que mostrasse a poesia que está se fazendo na cidade, levando em conta diferenças de temas, estilos e tendências. Pensei nisso porque para o autor não basta escrever o livro. Ele também que sentir a reação do público, estar perto do público, e precisa saber também o que os outros poetas estão fazendo, até porque o jornal panorama da palavra, hoje em 52ª. edição, foi feito com este objetivo – dar voz aos autores que não são contemplados pela grande mídia.
Uma vez encontrados os seus pares, os poetas, que mexem com essa atividade solitária, sentem-se mais estimulados a produzir e têm, entre si, os primeiros críticos. E não só a escrita é estimulada; também a leitura, a partir da qual vão abrindo horizontes e aperfeiçoando seu próprio trabalho artesanal.

Em contato com a Secretaria da Educação, consegui entrar na programação da Feira.

28 outubro, 2005

33ª Feira do Livro - Pelotas 28/10/2005





Neste link você encontra fotos do Evento http://spaces.msn.com/members/agenciadaartenoticias/
Novo link da 33ª Feira do Livro de Pelotas http://www.pelotas.com.br/cidade_feira/

LITERATURA

FEIRA DOS LIVRO

A realização da Feira do Livro de Pelotas terá início no dia 29/10/2005 e seu término em 15/11/2005
Também será realizada neste mesmo período a Feira do Livro de Porto Alegre..x.x.x.x.


AGUARDEM! LOGO, LOGO FEIRA DO LIVRO
Agenciamos a presença da escritora Helena Ortiz nas respectivas feiras.
TEREMOS DIVERSAS PROGRAMAÇÕES PARA A FEIRA!
Helena Ortiz, gaúcha, radicada no Rio de Janeiro, é taquigrafa e escritora, autora de quatro livros de poesia: Pedaço de mim (T&T Editores, Porto Alegre, 1995), Margaridas (Ed. Blocos, Rio de Janeiro, 1997) Azul e sem sapatos (Ed. Blocos, Rio de Janeiro, 1997) e Em par (Editora da Palavra, Rio de Janeiro, 2001). O próximo livro, a ser lançado em outubro de 2005 chama-se Sol sobre o dilúvio.Edita há seis anos o jornal de literatura panorama da palavra.
La Reina entregó el premio de poesía que lleva su nombre a Juan Gelman
A Rainha deu o prêmio de poesia que leva o nome dela a Juan Gelman
El autor argentino manifestó que en tiempos "tan mezquinos"
como los de hoy, "la poesía sigue viva, es un tirar contra la muerte"

15 outubro, 2005

Pintor Fernando Botero é processado nos EUA em US$ 200 milhões

O pintor colombiano Fernando Botero é acusado de dar falso testemunhoReutersO pintor colombiano Fernando Botero é acusado de dar falso testemunhoBOGOTÁ, 20 Set (AFP) - Duas empresas de comércio de obras de arte processaram o pintor colombiano Fernando Botero por 200 milhões de dólares perante uma corte norte-americana, acusando-o de falso testemunho e danos econômicos e morais por ter qualificado como pirata uma reprodução de sua obra, informaram nesta terça-feira meios de comunicação colombianos.As empresas Publix, da Colômbia, e Art Brokers, dos Estados Unidos, alegam que em 1999 adquiriram de um museu colombiano os direitos para reproduzir as obras de Botero. Por isto, consideraram que a desqualificação do pintor lhes causou enormes danos econômicos e morais, segundo cópia do processo divulgada pela imprensa colombiana.Botero, de 73 anos, cedeu em 1999 parte de sua obra ao Museu de Antioquia, na cidade de Medellín (noroeste), de onde é originário, inclusive a possibilidade de comercializar produtos relacionados com sua obra.A ex-diretora da entidade, Pilar Velilla, disse à rádio 'La W' que a autorização incluía a possibilidade de reproduzir algumas de suas famosas figuras rechonchudas, e "que o museu utilizou a venda destes objetos para fortalecer as finanças".O museu cedeu estes direitos à empresa colombiana Publix, que por sua vez os negociou com a americana Art Brokers, que começou a comercializar reproduções de pinturas de Botero nos Estados Unidos.No entanto, Velilla garantiu que o contrato com a Publix não podia ser cedido e só era aplicável na Colômbia, razão pela qual Botero teria razão ao se queixar da reprodução nos Estados Unidos.Mas a empresa americana alega que adquiriu os direitos de boa fé e que as declarações de Botero, acusando-a de pirataria, causou um dano.O advogado americano Michael Tessitore, que assessora o processo apresentado pela Art Brokers, disse que a companhia está disposta a fazer um acordo extrajudicial. "Sempre existe a possibilidade de um acordo fora da corte", disse Tessitore ao jornal 'El Tiempo'.Botero, que habitualmente vive em Pietra Santa (Itália), doou nos anos 90 parte de sua obra e de sua coleção privada para que fosse exposta em museus de Bogotá e Medellín.
Historiador de arte acha que encontrou tela perdida de Da Vinci
Por Philip PullellaROMA (Reuters) - Se a intuição de Carlo Pedretti estiver certa, o mundo poderá em breve ter outra obra-prima de Leonardo da Vinci para admirar.Uma tela intitulada "Maria Madalena", a qual Pedretti, historiador de arte mundialmente respeitado, desconfia que possa ter sido pintada por Leonardo da Vinci em conjunto com um de seus alunos, será exposta em público pela primeira vez em mais de meio século.O quadro mede 58 por 45 centímetros. Acredita-se que tenha sido pintado em 1515, quatro anos antes da morte do grande mestre.Ele será exposto em outubro em Ancona, cidade portuária do mar Adriático, e mostra Maria Madalena de vestes vermelhas com os seios nus e segurando um véu transparente sobre seu ventre.A pintura foi atribuída a Giampietrino, um discípulo de Leonardo cujos trabalhos podem ser encontrados em alguns dos maiores museus do mundo, incluindo o Hermitage, de Leningrado, e a National Gallery de Londres.Mas Pedretti, diretor do Centro Armand Hammer de Estudos de Leonardo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), suspeita que ela pode ser muito mais do que isso."Devido à altíssima qualidade da pintura, tendo a acreditar que haja nela muito mais do que apenas a supervisão do aluno pelo mestre", disse Pedretti à Reuters em entrevista telefônica concedida de sua residência na Toscana, onde ele passa parte do ano."Não posso afirmar ao certo, mas essa é minha opinião, e estou disposto a buscar fundamentá-la com todo o processo de verificação laboratorial", disse o professor de 77 anos.Co-curador da exposição de obras de Giampetrino e outros, Pedretti disse que a tela "possui características de um trabalho de Giampetrino, mas está muito além das qualidades dele".
COLEÇÕES PARTICULARESO quadro integra coleções particulares desde que sua existência foi registrada, há cem anos aproximadamente.Uma foto em preto e branco foi tirada da tela em Viena na década de 1920. Ela foi exposta pela última vez nos Estados Unidos em 1949, por pouco tempo, e recentemente Pedretti rastreou seu percurso até encontrá-la com um colecionador particular na Suíça.O historiador, que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo de Leonardo da Vinci, demonstra cautela, mas tem esperanças de que seu palpite se confirme.Ele quer que a tela seja submetida a um exame com infravermelho, uma técnica que traz à tona os esboços e as várias etapas de pintura por baixo da uma tela, usando máquinas fotográficas equipadas com sensores.Pedretti disse que, se forem encontrados traços de esboços, isso será extremamente importante, já que os esboços feitos por Leonardo da Vinci são muito fáceis de identificar."Para começar, o quadro precisa ser examinado no laboratório...Mas uma coisa extraordinária é que ele foi pintado sobre um painel de madeira intacto, exatamente como a Mona Lisa", disse o historiador.Sabe-se que Leonardo da Vinco completou algumas de suas obras com a ajuda de alunos. Por exemplo, acredita-se que uma das cópias da "Virgem dos Rochedos" tenha sido pintada conjuntamente por Leonardo e Ambrogio De Predis.Se o quadro de Maria Madalena revelar ser de autoria de Leonardo, mesmo que seja apenas parcialmente dele, será um dos poucos que o mestre pintou de mulheres nuas. Outro é "Leda e o Cisne".Pedretti disse que não tem interesse pessoal em sugerir que Leonardo da Vinci possa ter tido uma participação maior na pintura."Na minha idade, acho que não preciso chamar a atenção para minha pessoa. Estou propondo esta possibilidade apenas no interesse do conhecimento", disse ele.


Frida Kahlo: una de las artistas más copiada por falsificadoresLos cuadros de Frida Kahlo, quien murió en 1954, están entre los más copiados por falsificadores, una actividad difícil de perseguir en México donde muchas de estas "obras" tienen compradores poco dispuestos a denunciar el engaño.Tour virtual por la casa de Frida Kahlo en MéxicoTour por sus principales obras"Me han traído una gran cantidad de obras pintadas supuestamente por Frida. Un día me enseñaron un autorretrato de la artista donde estaba vestida como una santa, ¡así de absurda puede ser la situación!", dijo en entrevista Rafael Matos, pintor, experto en obras y subastador.Copias sin arte en México"Han llegado al grado de falsificar piezas sin ni siquiera conocer al artista", explicó el experto sobre las falsificaciones de la obra de Khalo, quien estuvo casada con el muralista Diego Rivera.Matos, quien posee una casa de subasta desde hace 21 años, estimó que en ese tiempo se ha encontrado con más de 2.500 piezas falsificadas. Todas de técnicas y artistas muy variados."Una vez una persona me pidió que viera el Tiziano que había comprado. Al verlo bajar de un taxi, de inmediato le dije que si su pieza fuera original, él tendría que venir escoltado. Ni siquiera tuve que verla", recordó.Además de participar en exposiciones, Matos se ha destacado como funcionario y promotor cultural al frente de diversas instituciones como el Centro de Educación Artística Diego Rivera, en el área de servicios educativos del Instituto Nacional de Bellas Artes, y como director del Centro Cultural San Angel.Matos decidió en 2000 realizar un registro de obras falsas que le han presentado para ser vendidas o evaluadas. Hasta el momento ha contabilizado 739 cuadros falsos de autores mexicanos.Esta situación es difícil de controlar porque en México "no hay una cultura de denuncia, no conozco a alguien que haya decidido levantar un acta contra quien le vendió la pieza y mucho menos someterse a un largo proceso de investigación", aseguró.Encontrar a los falsificadores es una tarea difícil pero no imposible, ya que existen diversas formas para descubrirlos."Una de las pistas importantes es que he notado la misma mano y el mismo papel en muchas piezas. Puedo asegurar que la gráfica falsa de Rufino Tamayo está hecha por la misma persona, porque la técnica que está usando es exactamente igual", señaló.Otra de las pistas que ayudarían a identificar a quienes se dedican a falsificar, es buscar a los que hayan trabajado directamente con los artistas."Algunos tienen nociones de la pintura, otros se nota que son más diestros. En el caso de Siqueiros, puedo afirmar que la persona que se dedica a falsificarlo, estudió con él en su taller", indicó.Matos aseguró que el 70 por ciento de las obras que se falsifican en México encuentran compradores, por lo que urgió a elaborar catálogos de las obras originales para frenar el problema."Existen diversos tipos de falsificación, algunos pueden ser muy inocentes, como cuando se descubre un óleo antiguo, pintado por un completo desconocido y después se le atribuye, sin dolo, a un artista de la misma época", dijo."Es urgentísimo que se haga un catálogo de la gráfica de Rufino Tamayo; de David Alfaro Siqueiros, el cual se puede hacer muy bien porque está muy documentado; de Francisco Toledo, él vive y puede ayudar a realizarlo; de Ricardo Martínez; de José Luis Cuevas", señaló."También es necesario que se hagan del Dr. Atl y Diego Rivera, María Izquierdo. Hay fuentes, se puede elaborar, todo es cuestión de que alguien se decida. La Galería de Arte Mexicano tiene un archivo maravilloso; Leonora Carrington también cuenta con un archivo, en fin, hay muchísimo material para hacerlo", agregó.Matos estimó que el 95 por ciento de la producción falsa está "mal hecha, los falsos son bastante burdos"."El otro 5 por ciento sí hemos tenido que revisarlo muchas veces y someterlo a diversos criterios, por ejemplo, un dibujo de José Clemente Orozco lo tuvimos que analizar con muchísimo cuidado porque incluso fue vendido en una de las dos casas de subastas más importantes de Nueva York, y resultó falsa", agregó."Algunas piezas son muy difíciles de identificar como las realizadas por artistas que tienen poca producción como Francisco Goitia, o que murieron jóvenes, como Fermín Revueltas", concluyó.
La Fundación Tres Culturas y Ecume Sevilla inagura hoy dia 13 de Enero la exposición El rio Guadalquivir y el recurso del sueño en el arte donde se expondran piezas realizadas por artistas procedentes de paises como Grecia, Marruecos, Turquia , Italia, Francia, Jordania o Argelia ademas de España.Fundacion Tres Culturas. Pabellón Hassan II, c/ Charles Darwin s/n, Cartuja. De Lunes a Viernes de 10 a 13 y de 17 a 20 h. Mas información en 954 088 040

13 outubro, 2005

Resultado do V SALÃO DE ARTES IMPERIAL MARINHEIRO MARCÍLIO DIAS

MARINHA DO BRASILCOMANDO DO 5º DISTRITO NAVALV SALÃO DE ARTES IMPERIAL MARINHEIRO MARCÍLIO DIAS

PREMIADOS - PELOTASCATEGORIA:
PINTURA
1º Lugar – Maria Lúcia Drummond de Macedo – Título: Farol do Albardão
2º Lugar – Marisa Kirst Post – Título: Farol
3º Lugar – Manuel Eduardo Lopes de Oliveira – Título: Condado do Mar
Mensão Honrosa – Marisa Kirst Post – Título: Preciosidades do Mar
Nós artistas da Agência da Arte fizemos presença e aproveitamos para parabenizamos todos os participantes em especial os premiados.
Cultura Fazendo Arte é aprovado na 1a. etapa da Consulta Popular Idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult), o projeto regional Cultura Fazendo Arte, que, além de Pelotas, abrange outros quatro municípios da Zona Sul, passou, recentemente, pela primeira etapa de avaliação da Consulta Popular e aguarda nova votação na próxima assembléia, marcada para o dia 10 de agosto. O projeto foi encaminhado pela Secult à consulta popular na primeira quinzena de junho e espera contar com os recursos disponíveis para o setor, na ordem de R$ 149 mil, já com a dedução da contrapartida dos municípios, sendo dividido entre as cidades contempladas. Buscando evitar a disputa entre cidades da Zona Sul e a centralização dos poucos recursos disponíveis para a cultura, a titular da Secult, Beatriz Araújo, optou por trabalhar com um projeto regional que abrange cincos municípios (Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão e Piratini), os quais defenderam o projeto Cultura Fazendo Arte em suas consultas populares, contribuindo, assim, para a aprovação nesta primeira fase. A próxima etapa pela qual passará o projeto está marcada para o dia 10 de agosto, quando acontece a escolha da comunidade dos projetos, em todo o estado, através dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes). Segundo a diretora de Planejamento e Projetos da Secult, Alessandra Ferreira, o próximo passo a seguir é o de contatar os secretários de cultura dos municípios integrantes da proposta e também a classe artística para somar forças e obter o maior número de votos possível para a aprovação final do projeto. Já a secretária Beatriz Araujo relata a importância do engajamento de todos para a realização do Cultura Fazendo Arte: “Este projeto prevê quatro grandes eventos em cada cidade contemplada e para Pelotas esses recursos servirão como uma espécie de financiamento do nosso projeto similar, Arte aos Quatro Ventos. Poderemos, assim, remunerar, ainda que modestamente, as pessoas que fazem arte, dignificando o trabalho dos artistas. E por isso, deixo o nosso apelo de que é fundamental a participação de todos” disse, entusiasmada. O Projeto - O projeto regional Cultura Fazendo Arte tem como objetivo estimular a cultura popular através de projetos escolhidos pela população, com verbas estaduais e municipais, além de favorecer o acesso gratuito a bens culturais de forma diversificada utilizando-se da cultura como fator de desenvolvimento e informação. Serão realizados 20 eventos populares entre os cinco municípios, proporcionando o intercâmbio cultural das comunidades e também dos artistas da Zona Sul do Estado, atingindo um público de aproximadamente 100 mil pessoas. Em Tramitação - Também estão sob análise outros dois projetos encaminhados pela Prefeitura de Pelotas para o Programa do Ministério da Cultura - o Pontos de Cultura, que engloba o “Barracão Popular” e “Escola de Arte”, através dos quais a Secult pretende popularizar o acesso à arte e a cultura nos bairros da cidade, utilizando-os como forma de inclusão social: Escola de Arte – objetiva trabalhar com crianças e jovens adolescentes em situação de risco, em cinco comunidades carentes da cidade, através da qual profissionais da área da cultura vão ministrar oficinas permanentes de fazer artístico (teatro, dança, música, circo, literatura, artes visuais, memória e patrimônio). E para envolver comunidade e familiares serão oferecidos ainda cursos profissionalizantes e uma forte atuação nas áreas contempladas. Barracão popular – visa à difusão e o desenvolvimento, no sentido de gerar uma maior circularidade da cultura carnavalesca, passando por oficinas, cursos, impressão de livros e organização de um museu. “Com este projeto, espera-se o alargamento das oportunidades de geração de renda, bem como tem-se a intenção de constituir uma espécie de rede cultural que conduza ao aprimoramento das questões que envolvem o carnaval, tanto no que se refere a quesitos de avaliação das entidades carnavalescas, quanto à qualificação de pessoal, reorientando assim, a fruição de saberes e fazeres artísticos vinculados ao carnaval pelotense até então guardados de forma velada”, aponta a secretária de Cultura, Beatriz Araujo.
Secom 27/07/05Data: 27/07Hora: 16:18Redator: Secom
Incentivo a Cultura

Pelotas tem cinco projetos aprovados pela Unesco
A Prefeitura de Pelotas, através da Secretaria Municipal de Cultura e em parceria com instituições organizadas de Pelotas, obteve aprovação na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), no Ministério da Cultura – Programa Monumenta - e BID, de cinco projetos encaminhados, no mês de maio, que contemplam diferentes ações ligadas ao patrimônio cultural de Pelotas. O anúncio foi feito hoje (6/10) ao Prefeito de Pelotas, Bernardo de Souza, pela secretária de Cultura, Beatriz Araújo.Segundo Beatriz, o total dos projetos aprovados, que constam no Diário Oficial de ontem (5/10), estão estimados em cerca de R$ 947 mil. “A partir do dia 13 de outubro o Monumenta estará disponibilizando as informações necessárias para darmos andamento aos projetos”, comemorou a Secretária de Cultura, informando que pela primeira vez Pelotas encaminha projetos pleiteando financiamentos junto à Unesco.O primeiro projeto aprovado, intitulado “Música, Patrimônio Vivo”, tem como entidades parceiras da Secult, a Sociedade Pelotense Música pela Música e a Universidade Católica de Pelotas. O projeto, cujo valor total é de R$ 363.058,98, tem como objetivo transformar o Centro Histórico, a música de coro e a orquestra experimental em em uma só idéia, capaz de gerar atividades econômicas na Zona Sul do Estado e torná-la referência regional em patrimônio histórico, música erudita e popular, trazendo benefícios sócio-econômicos e culturais para a região.O segundo projeto “Cultura Aberta” visa, em parceria com a Fundação Cultural Princesa do Sul, à intensificação de atividades culturais em espaços delimitados, com vistas a atingir diferentes grupos sociais, através da instituição de uma espécie de rede cultural que conduza à realização de diversas manifestações culturais como música, dança, teatro, artes plásticas, entre outros. O projeto, estimado em R$ 215.624,00, prevê o desenvolvimento de atividades nas áreas central e periférica da cidade, incluindo artistas anônimos, reconhecidos pela comunidade, e com potencial de aprendizagem.O terceiro projeto, chamado “Intervenções Urbanas no Entorno da Praça Coronel Pedro Osório”, orçado em R$ 146.329,00, apresenta uma proposta de exposições de trabalhos no entorno da Praça Coronel Pedro Osório, juntamente com a realização de um seminário que discuta as relações entre arte contemporânea e patrimônio cultural. O projeto conta com a parceria da Fundação de Apoio Universitário (FAU/UFPel).“Inventário de Referência Cultural – Produção de Doces Tradicionais Pelotenses” foi o quarto projeto aprovado, estimado em R$ 78.600,00. Em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) o projeto visa à realização de estudos e inventário cultural da arte das doceiras de Pelotas, com vistas à preservação da tradição doceira do Município, pelo incremento da atividade e definição de um instrumento de identificação capaz de agregar valor ao produto “Doce de Pelotas”. Trata-se de utilizar a metodologia desenvolvida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), para identificar e documentar a origem histórica dos doces, trajetória, formas de transmissão e relação com o patrimônio edificado da cidade, além da formação social da região. O inventário Cultural da Arte das Doceiras de Pelotas deverá subsidiar a criação de um selo de identificação do produto como bem cultural; a organização de atividades culturais – como roteiros turísticos – que relacionem o patrimônio edificado ao patrimônio imaterial de Pelotas; a atualização e qualificação da divulgação turística da cidade de Pelotas; e a implantação do Museu do Doce.O quinto projeto aprovado “Qualificação Profissional em Restauro e Conservação de Patrimônio Histórico-Arquitetônico de Pelotas” tem como objetivo organizar um curso, estrututurado em cinco módulos, visando ao aperfeiçoamento de algumas das técnicas construtivas mais relevantes da arquitetura pelotense, especialmente técnicas que necessitam de resgate e qualificação. O projeto, cujo valor total é de R$ 143.682,00, é dirigido a trabalhadores da construção civil e técnicos de nivel médio, projetando a sua inserção no mercado de trabalho da restauração. Os parceiros do projeto são o Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas (CEFET) e o Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário de Pelotas e Região (Sinduscon).
Data: 06/10Hora: 16:28Redator: Ana JungFotógrafo: Gustavo Vara
FALANDO SOBRE A LICA LIC – Lei de Incentivo a Cultura é a lei que tem por objetivo incentivar projetos culturais, através da dedução de até 20% dos valores devidos pelos contribuintes do IPTU e ISSQN (Imposto sobre serviço de qualquer natureza).»INCENTIVO À CULTURA (http://www.cidadecultura.com.br/incentivo.php3)A Cida Assessoria de Eventos trabalha com os textos das legislações relativas à inter relação entre Estado e Iniciativa Privada em nome do desenvolvimento cultural da comunidade brasileira, nos níveis municipal, estadual e federal.A cultura é um componente essencial do desenvolvimento da Nação. Através dela, os grupos que formam a sociedade participam e contribuem para o bem coletivo. Junto com os fatores econômico E social, ela forma o tripé sobre o qual se apóia a cidadania de um povo.Este é o primeiro motivo para a iniciativa privada se associar ao Estado e apoiar o desenvolvimento da cultura visando ao aprimoramento da sociedade. As manifestações culturais sejam de preservação e de memória, sejam de criação artística são importantes também porque geram empregos em vários setores. Além disso, ao crescer em qualidade e quantidade, a cultura cria um mercado próprio que se consolida como parte da estrutura do turismo e da indústria de entretenimento do país.Os incentivos que a Cida Assessoria de Eventos procura obter em nome de iniciativas culturais relevantes permitem a empresas que investem em produção cultural, de forma fixa ou esporádica, uma identificação com públicos-alvo sem precedentes, com evidente retorno institucional e até mesmo financeiro. Afinal, o Marketing Cultural oferece a mais rica gama de opções, no universo simbólico, de valores que o empresário pode agregar à imagem de seu empreendimento ou à marca de seu produto. Fique atento a essas oportunidades. Como produtor, empresário, político ou cidadão, você também pode incrementar esse verdadeiro mercado de cidadania. Aproveite para entender o funcionamento de alguns projetos culturais liderados por nossa produtora através dos links abaixo.

11 outubro, 2005

O mapa gaúcho da arte

Qual a posição do Rio Grande do Sul no panorama brasileiro de arte contemporânea? Como estão os museus e instituições locais? E a produção artística? APLAUSO reuniu artistas e teóricos para discutir essas e outras questões no debate que finaliza a série sobre a arte de hoje
por FERNANDA ALBUQUERQUE
Como o Rio Grande do Sul se situa no panorama nacional de arte contemporânea?

Vera Chaves Barcellos: Mal, eu diria. Em comparação com décadas passadas, a gente piorou.
Blanca Brites: Tu te referes à situação institucional ou aos artistas?
Vera: Me refiro principalmente à carência de infra-estrutura. Não posso julgar a produção, porque às vezes os artistas estão desenvolvendo trabalhos interessantes, mas não têm como mostrá-los. O que a gente vê no Estado é que existem ilhas: o Torreão, o Santander. São espaços que desenvolvem trabalhos interessantes. Mas há instituições que deveriam estar funcionando e não estão, como a Casa de Cultura Mario Quintana e o Margs. Também existe um problema com as galerias. Elas não arriscam. De vez em quando, algumas até trabalham com arte contemporânea, mas em geral investem mais em arte moderna, que é o que garante a venda.
Jailton Moreira: Discordo de ti. Em relação ao resto do país, me parece que o Rio Grande do Sul está onde sempre esteve: no terceiro, quarto ou quinto lugar, dividindo essas posições com Minas Gerais e Pernambuco. Em relação a esses dois centros, não vejo o Estado melhor ou pior do que sempre foi. Agora, em relação a décadas passadas, concordo que já tivemos situações melhores. A CCMQ, por exemplo, não sabe mais do que se trata. O Margs, que teve bons momentos há alguns anos, também está entregue. A parte da prefeitura está complicada. O Santander ainda não conseguiu definir um perfil de programação. Este ano, por exemplo, só fez uma exposição. Claro que há ganhos. O Instituto de Artes se solidificou, a Bienal se estabeleceu...
Blanca: Será que essa mudança não tem a ver com a própria postura dos artistas? Me parece que as gerações atuais não estão tão preocupadas em se impor e exigir espaço, pelo menos não os tradicionais. A divulgação da produção tem acontecido de outra maneira.
Vera: De qualquer forma, há poucos espaços expositivos. Ou melhor: eles existem, mas estão mal administrados.
Como os artistas têm reagido a essa carência?
Jailton: Quando determinadas instituições são administradas de forma equivocada, os primeiros a deixar esses espaços são os artistas, que migram para outros locais ou simplesmente se recolhem, aguardam, pois sabem que essas questões são cíclicas. É uma espécie de sabedoria.
Blanca: Mas esse recolhimento em relação às instituições não significa que os artistas não estejam produzindo. O que acontece é que a produção tem sido menos divulgada.
Vera: O problema é que, se a produção não tem onde ser veiculada, é preciso ser muito heróico para continuar produzindo.
Blanca: Mas a questão não está ligada só a ter ou não ter locais expositivos. Tenho a impressão de que esse tipo de exibição mais convencional não tem interessado tanto à geração mais jovem em função das próprias propostas artísticas.
Denise Gadelha: Os artistas estão apostando em outras formas de visibilidade. Estão se organizando de outras maneiras para produzir e veicular seus trabalhos. Por isso não têm exigido esses espaços mais tradicionais. Existem artistas que formam grupos e vão atuar nas ruas, outros fazem fanzines, editam revistas. Tem o Projeto Areal, por exemplo, que aposta num outro tipo de organização.
Blanca: Só que essas produções acabam tendo um público restrito. Ficam fechadas a pequenos círculos.
Jailton: Mas alguma vez foi diferente?
Vera: Foi. Quando o Gaudêncio Fidelis fundou o MAC, em 1992, houve uns dois ou três anos em que a produção jovem pôde aparecer. Vimos muita coisa interessante surgir naquela época.
Eduardo Veras: É verdade. Mas talvez os jovens artistas de hoje não estejam procurando os espaços tradicionais, porque a própria produção não exija isso. É claro que essa produção não está desligada do sistema de arte – instituições, galerias etc –, mas parece que ela encontra formas de sobrevivência que têm uma vitalidade própria e que não são tão dependentes do sistema convencional. Isso talvez seja uma novidade.
Denise: Mesmo aquela produção que demanda esse tipo de espaço não necessariamente depende dos locais e de iniciativas públicas daqui do Estado para ser veiculada. Hoje está muito fácil transitar em outros locais do país. Existe uma gama muito grande de ofertas.
Então a produção está circulando?
Denise: Muito. Há várias instituições investindo em projetos que dão visibilidade à produção jovem: Rumos Itaú Cultural Artes Visuais, Funarte, Prêmio Chamex, Fundação Joaquim Nabuco, Bolsa Pampulha, Bolsa Iberê...
Jailton: É mais do que sempre existiu. A possibilidade de permanecer em Porto Alegre e estar conectado com o resto do país é uma novidade. Quando comecei, a única alternativa era se mudar para São Paulo.
Blanca: Mas essa possibilidade começa nos anos 80, quando acontece um certo boom do mercado de arte local, que vai permitir que a Vera fique aqui, a Karin Lambrecht, a Lia Menna Barreto...
Jailton: Uma coisa é a Karin ou a Lia, que conquistaram uma relação de mercado em São Paulo, poderem circular lá. Outra coisa é a Denise, que está iniciando um trabalho, estar totalmente conectada com o resto do Brasil.
Vera: Isso é diferente mesmo. Mas houve momentos na arte brasileira em que essa situação também aconteceu. Nos anos 60, o Walter Zanini fez um trabalho importante na direção do MAC de São Paulo. Ele era extremamente atento aos focos fora do centro.
Jailton: Mas era uma relação que acontecia do centro para as bordas. A diferença hoje é que existe um intercâmbio muito grande entre as bordas, de região para região, sem que as relações precisem ser mediadas por São Paulo ou Rio de Janeiro.
Blanca: As relações passam a acontecer diretamente entre os artistas. Se nos anos 80 esses intercâmbios ainda estavam vinculados a uma questão de mercado, hoje eles acontecem de forma mais independente, sem intermediários.
Jailton: Mas ainda existe no artista jovem uma ânsia por um paternalismo, que antes era exercido pelo mercado e hoje é exercido pela instituição. Antes, o sonho era assinar um contrato com o Thomas Cohn. Hoje, é ter uma bolsa.
Vera: A arte sempre precisou de paternalismo. Ou tu trabalhas numa fábrica oito horas por dia, ou tu és artista. E aí alguém vai ter de pagar as contas.
Blanca: A questão da sobrevivência é problemática. Como é que o artista vai viver?
Jailton: Ele pode criar outras estratégias. Minha experiência com a criação do Torreão foi tentar encontrar uma possibilidade que não é nem trabalhar numa fábrica, nem receber uma bolsa, mas inventar uma estratégia de sobrevivência. Os anos 90 foram marcados pela proliferação desses espaços que não são nem instituição, nem galeria. São alternativas criadas pelos próprios artistas para suprir determinadas necessidades.
A proliferação desse tipo de iniciativa é reflexo da ineficiência institucional que vocês apontaram?
Jailton: Em parte sim, mas não é só isso. A Vera deu o exemplo da atuação do Gaudêncio junto ao MAC, que foi muito positiva. Isso porque o Instituto Estadual de Artes Visuais funcionava bem naquela época. Isso não aconteceu mais. Talvez a ineficiência do IEAV esteja embutida no preço que a gente paga pela Bienal.
Vera: Como assim? Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Tu achas que o evento exaure os recursos para as artes, é isso?
Jailton: Não é isso, mas acho que a Bienal acaba funcionando como um biombo para a incompetência. É como se as pessoas ficassem satisfeitas com o simples fato de a Bienal existir e se sentissem desobrigadas de produzir outros eventos, investir em outras iniciativas. A Bienal, em si, não tem culpa nenhuma.
Eduardo: Tendo a concordar com o Jailton. Mas acho que o problema da ineficiência está mais ligado ao fato de as instituições estarem sujeitas às mudanças de governo e se manterem a reboque disso.
Sobre a Bienal, uma das críticas recorrentes ao evento é o fato de ele funcionar como uma espécie de disco voador, que aterrissa na cidade de dois em dois anos e depois vai embora. Como vocês vêem essa questão?
Blanca: O caráter esporádico é uma característica de todas as Bienais. Talvez a gente esteja exigindo muito da Bienal do Mercosul ao reclamar da falta de continuidade. É como se a gente quisesse que ela cumprisse o papel do IEAV. É uma responsabilidade que ela não tem de assumir.
Eduardo: Mas a própria Fundação Bienal já assimilou o discurso de que deveria promover atividades nos intervalos entre as exposições.
Vera: Não acho isso tão necessário. E concordo com a Blanca: todas as grandes exposições são assim. Preparar uma mostra do porte da Bienal já é muita coisa. O tempo é muito curto, e a responsabilidade é grande.
Jailton: Concordo com vocês. Não podemos exigir que a Bienal assuma o papel do IEAV. Fazer uma boa mostra já é uma tarefa excelente. Acontece que o evento acaba ficando completamente isolado da cena artística local, exatamente em função da ineficiência do IEAV e de outras instituições públicas. Daí a crítica de que a Bienal seria essa espécie de disco voador.
Vera: O problema da Bienal é o seguinte: a primeira edição foi boa, as três intermediárias mais ou menos, e a quinta tenho esperanças de que será boa também. Acontece que tanto o Paulo Sergio quanto o Frederico Morais, que foi o curador da primeira, praticamente se mudaram para Porto Alegre durante a organização do evento, o que não aconteceu com os outros curadores. Isso faz muita diferença.
Eduardo: Com todas as críticas que se possa fazer a uma ou outra edição, não dá para negar que a Bienal tem exercido um papel importante de formação de público para a arte contemporânea. O repertório que o porto-alegrense tem hoje certamente não é o mesmo de 1997.
Vera: A Bienal tem números de público impressionantes. Agora, se as pessoas realmente se relacionam com o que está exposto, é outra história. O que acontece com essas grandes exposições no Brasil é que elas acabam virando uma espécie de feira. As pessoas visitam a Bienal como se estivessem visitando a Expointer.
Como vocês avaliam a produção gaúcha?
Jailton: Por ter trabalhado em duas edições do Rumos Itaú Cultural, viajei quatro anos pelo Brasil, conhecendo a produção jovem. A partir dessa experiência, me dei conta de algumas particularidades nossas. A primeira é que a gente conversa muito. A produção local é relativamente conectada entre si e bastante reflexiva. Existe bastante diálogo, troca. Muito diferente de outras regiões do país. Isso melhora a sua qualidade. Gera uma certa precisão, uma limpeza de idéias. Outro ponto inegável é a importância do Instituto de Artes da UFRGS e principalmente da Pós-Graduação em Artes Visuais no nosso cenário. O PPGAV tem hoje um reconhecimento nacional e cumpre um papel muito significativo aqui. Existe um lado negativo, que é a prevalência muito forte de um certo tipo de abordagem teórica, o que acaba criando uma espécie de monocromatismo.
Blanca: Esse monocromatismo ainda é reflexo do grupo de professores que criou a pós-graduação. Mas esse grupo está aberto às mudanças que vêm ocorrendo. O quadro de professores está aumentando e com ele as abordagens e os direcionamentos.
Vera: Um dado significativo é que os artistas mais atuantes saem do instituto. E não de oficinas particulares ou do Atelier Livre, por exemplo.
Jailton: Talvez porque a arte contemporânea exija um certo envolvimento com formação e informação. Não dá para pensar em produção de arte contemporânea desconectada de alguma atividade de reflexão. Além do instituto, também destaco a Feevale e a Universidade Federal de Pelotas, que são referências fortes no Estado.
Eduardo: E tem o Torreão, que também está fazendo um trabalho importante de formação.
Blanca: O Torreão cumpre hoje o papel que o Atelier Livre cumpria nos anos 70 e 80. Ele oferece aos alunos do Instituto de Artes um outro tipo de experiência, o que é muito bom. Não dá para ficar numa formação única.
Eduardo: E a Bienal? Ela também não tem um papel na formação dos artistas?
Denise: Tem, mas poderia ter mais. Tudo bem que ela não deva assumir o papel do IEAV, mas, se pensarmos no volume de recursos investido na Bienal, é justo que eles desenvolvam outros projetos entre cada edição. Até para criar um envolvimento maior com o público local. Não só com o grande público, mas principalmente com o especializado, que às vezes é deixado de lado.
Jailton: A Fundação Bienal poderia ter uma atuação semelhante à da Fundação Iberê, promovendo cursos, seminários, palestras. Antes de concluir o museu, eles já tem uma programação intensa. Isso é raro. Normalmente é o prédio que vem em primeiro lugar e só depois se pensa no que botar lá dentro. O que a Fundação Iberê está fazendo é exatamente o contrário.
E o Museu de Arte Contemporânea? Desde o início de 2004, ele está ocupando um dos armazéns do Cais do Porto e de lá para cá vem tentando estabelecer uma programação. Como vocês vêem a atuação do museu?
Vera: É muito difícil julgar a boa vontade das pessoas que estão no MAC. Talvez elas não estejam suficientemente preparadas para os cargos que ocupam, o que não é culpa delas. Há toda uma conjuntura que está completamente equivocada e que precisa ser revista. Não existe um espaço adequado, a equipe é pequena, não há verba. A questão é: não dá para fazer arte sem dinheiro. Quem pode exigir melhorias? Nós, os artistas. Uma associação como a Chico Lisboa deveria atuar exatamente nesses momentos. É para isso que essas organizações existem. E não para fazer exposições dos associados, o que é algo ridículo.
Blanca: A questão do MAC começa pelo espaço. Ele nasceu sem sede e nunca conseguiu conquistar uma. E tem mais: precisamos entender que um museu tem de ter um diretor, ou seja, alguém que gerencie o espaço, e um conselho curatorial ou diretor artístico, que se ocupe da programação. Ninguém é obrigado a entender de finanças e de arte contemporânea.
Vera: Há quem ache a figura do curador antipática, mas ela é extremamente necessária. É o curador quem cria um perfil para os espaços e define uma ótica para as exposições. Essa história de telefonar para o artista, pedir uma obra e ainda dizer que ele mesmo tem de levar e montar o trabalho no museu é uma piada.
Eduardo: Não é só o MAC que tem feito isso. O Margs também. Os nossos museus ainda não desenvolveram a cultura do curador. Não basta ter curadorias isoladas a cada mostra. É preciso criar um conselho curatorial permanente e fazer com que ele se mantenha à revelia das mudanças de governo.
Vera: Antes de concluir, quero fazer uma última colocação: quando disse que a cena contemporânea gaúcha ia mal no início do debate, minha intenção era muito mais fazer uma provocação. Nós, gaúchos, tendemos a um excesso de otimismo, o que não é bom. Quando a gente acha que está tudo muito bem, a gente se acomoda. Não faz nada para melhorar.
Ilustração: Nina Moraes